ORÇAMENTO
► Definição
- “Orçamento é o nome dado para a avaliação ou cálculo especulativo do custo de uma obra, trabalho ou serviço a ser prestado. A definição de um orçamento, normalmente, leva em consideração duas principais características: a receita, ou seja, o valor arrecadado ou disponível, e a despesa, que seria o valor a ser gasto para a conclusão ou manutenção de algo. Os orçamentos estão presentes em vários aspectos da vida cotidiana, desde o planejamento para uma reforma na casa, até os valores que serão destinados para a manutenção de serviços públicos do governo, que afetam direta ou indiretamente a vida dos cidadãos.” Fonte: significados.com.br
Em outra fonte temos:
- “O orçamento funciona como uma previsão, em uma espécie de planejamento financeiro, do quanto se poderá gastar para que um projeto possa ser realizado. Para realizar um orçamento é preciso levar em consideração a quantia disponível hoje, ou que poderá estar acessível dentro de algum tempo, para o que se poderá utilizar. Existem diferentes tipos de orçamentos, como o orçamento público, empresarial, familiar e pessoal, e o que eles têm em comum: mensurar e acompanhar uma estimativa daquilo que se poderá gastar. O conceito de um bom orçamento não está em apenas despender daquilo que arrecadamos, mas sim, em utilizar nossos recursos com melhor proveito possível.” Fonte: dicionáriofinanceiro.com
Em inglês, a palavra “orçamento” é traduzida para budget.
Exemplo de orçamento: “O mecânico fez o orçamento de dois mil reais para consertar todo o sistema elétrico do automóvel!”.
► Construção Civil
De acordo com o ebook Noções de Orçamento e Planejamento de Obras, material que segue disponível na aba ANEXOS, o desenvolvimento sustentável é indispensável para garantir a qualidade de vida das gerações futuras. A sustentabilidade geralmente é analisada através de três aspectos básicos: econômico, social e ambiental, os quais devem ser buscados de forma coerente. A questão da sustentabilidade na construção vincula-se à sustentabilidade em geral, incluindo os problemas de degradação dos entornos naturais, mudança do clima e efeito estufa (Gauzin-Müller, 2002). Na conferência Rio-92 foi estabelecido que o desenvolvimento sustentável deve ser baseado em três princípios (Gauzin-Müller, 2002; ONU, 1992): • Avaliação do ciclo de vida (ACV) dos materiais em sua totalidade; • Desenvolvimento do uso de matérias-primas e energias renováveis; • Redução das quantidades de materiais e energia utilizados na extração e exploração de recursos naturais, e a reciclagem ou destinação final dos resíduos. A construção é um dos setores que mais pode contribuir para a sustentabilidade, pois é grande consumidor de recursos naturais e de energia para a fabricação de materiais e para operação e manutenção das edificações, sendo também grande gerador de resíduos de construção e demolição (RCD), ao longo do seu ciclo de vida (a construção é responsável por cerca de 40% dos materiais retirados da natureza e 40% de todos os resíduos gerados pela sociedade). A importância social e econômica é igualmente significativa, através da participação no PIB e na geração de emprego e renda, por exemplo. Assim, é essencial envolver a indústria da construção na busca pelo desenvolvimento sustentável, através do desenvolvimento de projetos e construções com características sustentáveis.
♦ O processo de desenvolvimento de um empreendimento imobiliário
O processo de desenvolvimento do produto imobiliário pode ser definido como o conjunto de atividades necessárias para o projeto de um produto, da identificação de uma oportunidade de mercado até a entrega do produto ao cliente final (Tzortzopoulos et al., 1998). De forma resumida temos:
- Planejamento: O planejamento da construção consiste na organização para a execução, e inclui o orçamento e a programação da obra. O orçamento contribui para a compreensão das questões econômicas e a programação é relacionada com a distribuição das atividades no tempo.
- Orçamento: Há uma relação próxima entre o prazo de execução e o custo da obra, em função das limitações dos clientes. Os recursos disponíveis mensalmente podem definir um prazo mínimo para a obra. Por outro lado, o prazo da obra implica em alguns custos fixos mensais, tais como aluguéis de equipamentos e mão de obra envolvida na organização (mestres, técnicos, engenheiros ou arquitetos responsáveis pela execução). Desta forma, é importante examinar os condicionantes gerais, desenvolvendo um plano geral para a obra, o qual posteriormente será detalhado. Existem vários tipos de orçamento, tais como orçamentos paramétricos, pela NBR 12721, discriminados e operacionais. O orçamento deve ser formalizado, constituindo-se então em documento fundamental para o gerenciamento da obra. Na visão tradicional, um orçamento é uma previsão (ou estimativa) do custo ou do preço de uma obra. O custo total da obra é o valor correspondente à soma de todos os gastos necessários para sua execução. O preço é igual ao custo acrescido da margem de lucro, ou seja, C + L = P. Em diversos segmentos da construção civil, há um número de elevado concorrentes (por exemplo, na produção de habitação vertical ou na área de manutenção industrial) e se diz que o preço é dado pelo mercado, ou seja, o cliente ou comprador pesquisa preços previamente e negocia a contratação com base nesta informação. Neste caso, a empresa precisa gerenciar seus custos para manter a possibilidade de lucro. Assim, P – C = L. De qualquer forma, o orçamento deve ser executado antes do início da obra, possibilitando o estudo ou planejamento prévios, e também é útil para o controle da obra.
- Projeto: O resultado do projeto de edificações é um conjunto de documentos, em desenhos e texto, que descreve a obra, permitindo a contratação e a execução. Em um sentido amplo, o “projeto” inclui todos os documentos necessários para comunicar a idéia e desenvolver o produto. Por conta da complexidade e da quantidade de informação envolvida, e também pela tradicional fragmentação (existem diversos profissionais envolvidos), em geral o projeto é dividido em especialidades e em documentos gráficos (tais como plantas arquitetônicas, estruturais, hidro-sanitárias, elétricas, lógicas e outras) e documentos escritos (orçamento, memoriais, especificações técnicas, cronograma, contratos e outros). Em alguns casos, são desenvolvidas várias versões do mesmo documento para atender a diferentes públicos, como é o caso do memorial descritivo, adaptado para registro da incorporação, propaganda para venda, financiamento, aprovação perante órgãos públicos, construção e fiscalização, etc. Em um sentido amplo, o “projeto” inclui todos os documentos indicados a seguir. O projeto é a etapa inicial e uma das mais importantes fases no ciclo de vida de um empreendimento.
- Para saber mais veja o ebook na aba ANEXOS
♦ Orçamento
Existem vários tipos de orçamento, e o padrão escolhido depende da finalidade da estimativa e da disponibilidade de dados. Se há interesse em obter uma estimativa rápida ou baseada apenas na concepção inicial da obra ou em um anteprojeto, o tipo mais indicado é o paramétrico. Para as incorporações em condomínio, a lei exige o registro de informações, em cartório, seguindo um procedimento padronizado, de acordo com a norma NBR 12721 (ABNT, 1999). O orçamento discriminado é mais preciso, mas exige uma quantidade bem maior de informações. Às vezes, durante o desenvolvimento do projeto, é interessante realizar a estimativa de forma cuidadosa ao menos nas partes que já foram definidas. Para as demais, pode-se aplicar estimativas baseadas em percentuais médios de obras anteriores. Por exemplo, se existe o projeto arquitetônico, com as definições de dimensões e acabamentos, mas ainda não estão disponíveis os projetos elétricos, hidráulicos ou estruturais, os valores correspondentes podem ser estimados utilizando os percentuais que estas parcelas geralmente atingem para obras do mesmo tipo. Por fim, tendo em vista a construção sustentável, adquire importância a análise dos custos no ciclo de vida.
► Dicas
De acordo com o Guia Definitivo do Orçamento de Obra, material disponível no campo ANEXO desta página (logo ali mais abaixo), seguem cinco dicas fundamentais para elaborar um bom orçamento de obras:
1. Equalização de propostas
É muito comum se deparar com propostas onde as empresas fornecedoras não incluem informações importantes nos orçamentos. Para evitar problemas com o orçamento final da obra, a dica é fazer uma equalização de propostas para cada serviço/produto – ou seja, conferir quais propostas contém todos as informações necessárias para o orçamento e quais propostas não estão completas. Prazo e local de entrega, por exemplo, são informações que nem sempre estão presentes na proposta, e podem gerar transtornos futuros quando as obras começarem. O objetivo da equalização é completar propostas incompletas para compará-las com as que envolvem informações mais amplas ou detalhadas.
Crie um checklist que deve ser aplicado em cada proposta recebida, com os itens necessários para a execução do serviço do ponto de vista do orçamento. Alguns itens que devem ser levados em conta na montagem da equalização são:
- Adicionar frete: necessário quando um fornecedor cotou o entrega no canteiro, enquanto outro não cotou.
- Completar escopo: necessário quando uma proposta vai muito além do que a outra em termos de abrangência.
- Compatibilizar moedas: necessário em obras com insumos importados, onde pode haver cotações em reais e em dólares.
- Adequar quantitativos: necessário em obras onde o levantamento de quantidades fica por conta do fornecedor
Em seguida, confira cada uma das propostas recebidas, preencha o checklist e faça a comparação. No caso de propostas incompletas, mas com valores aparentemente vantajosos, você pode devolvê-las para as empresas e solicitar a adição das informações faltantes. O resultado da equalização de propostas ajuda a identificar com facilidade quais fornecedores oferecem o preço mais vantajoso para a compra do material ou execução do serviço, evitando que a empresa tome prejuízo ao fechar negócio com custo duvidoso.
2. Domine os critérios de medição
Todas as quantificações necessárias no projeto devem seguir aos padrões de medição previamente definidos pela empresa. Por isso, é fundamental que o orçamentista entenda os critérios de medição para cada área, material, serviço e pagamento estipulados antes de começar a produzir o orçamento da obra. É importante lembrar que estes critérios não são universais – ou seja, podem mudar de acordo com o contrato e tipo do empreendimento a ser construído.
3. Faça visitas técnicas
Seja por pressa, falta de tempo, falta de recursos ou por pensarem que não há necessidade, muitos orçamentistas acabam deixando de fazer a visita técnica de campo. O objetivo dessa visita é observar o local da obra sob o ponto de vista técnico e logístico, analisando características e necessidades que não estão descritas no projeto técnico ou executivo. Durante a visita técnica é importante mapear questões como o tipo de solo e de vegetação, as características dos terrenos adjacentes e as rotas de acesso ao local.
4. Leia e interprete informações
O papel do orçamentista não é apenas utilizar as informações contidas no projeto técnico ou executivo para montar uma planilha com os custos de cada item. É preciso ler e interpretar as informações contidas além dos números, para garantir que a obra seja executada de uma maneira viável e produtiva para a empresa. Com um processo mais crítico de orçamentação, o profissional pode pensar na própria viabilidade econômica do projeto e em alternativas para que os trabalhos em campo sejam otimizados. Assim, o orçamento deve fornecer informações suficientes para gerar o dimensionamento de equipes para cada serviço, simulações de cenários alternativos com diferentes técnicas construtivas, geração de cronogramas físicos e financeiros e para a obtenção de índices para o acompanhamento produtivo da obra.
5. Seja detalhista
Por mais simples que o projeto e a natureza da obra possam parecer, quantos mais detalhes forem especificados é melhor. Isso garante que orçamento seja cada vez mais completo e compatível com a realidade das futuras obras, evitando o surgimento de gastos extras exorbitantes e possíveis prejuízos para a empresa . Por isso, faça inúmeras revisões, e obtenha novas cotações de materiais e serviços até que as todas as informações do orçamento estejam compatíveis com as métricas propostas para o projeto. Simulações de métodos construtivos diferentes, de custos de equipamentos e alternativas para diminuir os custos na execução da obra podem ser a chave entre ganhar ou perder uma licitação. Nenhum empreendimento é igual ao outro: dê atenção exclusiva a cada orçamento e documente todas as informações obtidas, para que haja total sincronia entre os objetivos iniciais e o empreendimento final construído.
Gostou das dicas? Veja mais na aba ANEXOS.